Transcrevo neste post, à pedido do meu amigo Neguinho, esta música que fala do êxodo rural, onde os camponeses são obrigados a deixar o campo, não por vontade própria, mas pelas agruras do esquecimento político: falta de incentivos para a lida agropecuária, falta de estradas, falta de transporte, e tantas outras coisas que obrigam a população camponesa a ir pra cidade, ser um João-Saudade, que aparece nas estatísticas apenas dos folhetins policiais.

João Saudade
No estilo da estampa, um resto de pampa
Farrapo dos trapos, bombacha já rota,
Melena revolta, e um jeito de guapo
Chapéu deformado, um lenço rasgado
Ainda bandeira, guaiaca roída
Rimando com a vida, do João da Fronteira
Por que óh João, deixaste o galpão
e a lida campeira, pra ser na cidade
Mais um João-saudade
nem eira e nem beira?!
O João da favela, que a vida atrela
a um carro de mão,
é o João-lá-de-fora
Repontando agora,
papel, papelão
e assim, quem diria
que a sorte um dia
lhe desse esse pealo
e o João já nem sente
que ontem foi ginete e hoje é cavalo.
(Vaine Darde e Pedro Neves)

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