Um monge e seu discípulo andavam por umas quebradas aí, fazendo dessas coisas que monge e discípulo fazem... Andavam e meditavam!
Num certo fim de tarde, chegaram em uma casinha bem humilde. O casal e seus cinco filhos, todos com aparência fragilizada foram ao encontro do monge.
O monge pediu para pernoitar ali, já que estavam cansados e com as sandálias gastas pelas pedras do caminho. A família gentilmente atendeu o pedido.
Na hora do jantar, a familia serviu aos dois caminhantes umas tijelas de leite com farinha. Os habitantes da casa também jantaram o mesmo prato!
Na manhãzinha seguinte, o monge e seu discípulo se preparavam para sair e lhes foi servido como desjejum, uma caneca de leite quente.
Ao saírem da casa, o monge avistou a única vaquinha que fornecia leite para a família que pastava tranquilamente perto de um precipício. O monge ordenou seu discípulo que empurrasse a vaquinha peráu abaixo. O discípulo, meio relutante, foi a contra-gosto e empurrou a vaquinha que ficou estendida e morta lá na ribanceira.
Sem perguntar nada, mas morto de curiosidade o discípulo seguiu seu mestre. Manda quem pode, obedece quem tem juízo!
Passaram-se alguns anos, o monge e seu discípulo (fazendo o que sabem fazer!) retornaram para aquelas paragens e encontraram uma propriedade transformada... horta, pomar, diversificação da propriedade e uma família feliz... O casal e os cinco filhos, agora transformados em pessoas sorridentes foram ao encontro do monge e seu seguidor.
Todo falante, o patriarca da casa foi contando das mudanças que ocorrera na propriedade. Mostrava feliz as árvores do pomar, oas canteiros na horta, os animais no quintal... E o discípulo, que desde que matou a vaquinha estava se ardendo de curiosidade perguntou:
__ Como foi possível acontecer esta transformação?
Na simplicidade, o homem respondeu:
__ Quando vocês estiveram aqui, a gente tinha uma vaquinha que fornecia leite pra alimentar a nossa família. Mas um terrível acidente ocorreu. Nossa única vaca caiu no peráu. Como ficamos sem ter o que comer, buscamos outras alternativas e vimos que nossa terra era rica e começamos a plantar muitas coisas... A partir do momento da morte da bezerra, digo, vaquinha, percebemos que era possível mudar e mudamos para muito melhor!
Moral da história: ahãn... isso mesmo!
(Adptado de um conto chinês, para o matorriquês!)

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